vives nas esquinas do meu pensamento

22/01/09

Batalha dos Tempos XXIX - dos dias de você


É o convencimento absurdo que me faz imaginar os dias, os dias de você. Me enamorei por um carinho que deitou sob a tempestade gritando: é milagre! É milagre!. Que sei eu de milagres, Ora. Sei dos dias de você. Aqueles que fazem a sombra onde não é possível; aqueles que fazem as ondas do mar... tragar o vento e aprisioná-lo envolvendo-o em suas paredes de água derramada. Sim. Hoje. Hoje é um dia que faz eu me sentir deitado na beira de um rio para ouvir conversas de águas. Na brilhante luz da lua me sinto ser. Como nunca foi possível acreditar.
FOI ASSIM QUE TUDO COMEÇOU...
O despertar daí em diante mudou. Adquiriu um tom violeta , um quase lilás , e passou a ser o acordar.Assim, dia após dia, venho alimentando o melhor de mim. Andava faminto de querer bem e a sentir inveja por ainda não amar. Foi assim que comecei a perceber os dias de você. Leves ainda quando em suas estradas traziam grandes turbulências, às más notícias. Ainda assim cercou-me de leveza para enfrentar as irracionais discussões. Mas daquele momento nunca mais as coisas seriam iguais, porque a partir dali tudo perderia o seu sentido e modificaria seus significados. Esse lado , agora, aponta um entendimento muito maior sobre esses tantos segredos da vida que vivemos. Vivencia um amar, carinhosamente correspondido, sob as sutilezas do avanço racional. Imagina.
Delira. Acomoda. Excita. Livre se dá.
Qual experiência pode dar noção aos signos mais intensa do que essa?. Amar como se fosse o último momento, como se fosse um meio-termo, como o início inesperado de uma profunda mudança no viver. Poder dizer: alguém que nem sei quem ama-me. Por amor deseja-se o até indesejável. Pois se assim não fosse não seria amar, essa capacidade única de querer pertencer e ser de um alguém.
A essência disso tudo? Você nas minhas cercanias, você e esse cheiro de relva que não saí de meus dedos, você e seus suspiros sensuais, sua beleza amadurecida, você e suas mãos de dedos longos, macios, você uma temperatura certa, uma água que preciso provar.
*
*
*
Foto de Paulo Pinto

30/07/08

Batalha dos Tempos XVIII - Deserta Solidão


a solidão macia me rondando
em lugares estranhos a quero deixar
só a quero no mar
lá onde o amor pode se mostrar
pode ser face, verdadeira
ouvir o vento falar
sentir a maresia, o cheiro da vida
é lá que deixo a solidão me tomar
minhas palavras na dança da maré
minha memória
o sempre sonho da mulher
aquela que quero amar
na deserta solidão que me permito
viver no vento do mar.
Foto de Olga

09/07/08

Desabafos XXVIII - O conflito do amor



O amor é um conflito
não.não falo do amor poema
do amor poesia...
falo de outro,
o amor que não se desmancha na areia
o amor que faz lençóis na cama
o amor que grita
não vive sufocado -
o amor da beira
do canto, do lado,
do dentro,
profundo
o amor que saneia
que recorda e faz porque recorda
o amor "desvendador" dos enigmas

o amor é um conflito
teima em se desprender

E só assim ser o amor.
Foto de gaba

26/06/08

Desabafos XXVII - Andarilho



Onde posso me refugiar
para sentir mais de perto
os odores do inverno
o peso da gota de chuva
a capacidade do vento levar
uma folha no chão
um rastro na areia
uma raiz partida ?
é nas sombras da natureza
onde escondo meus tristes sentires
a honra ferida
a tristeza recusada
nos caminhos que escolhi
a natureza me acolhe
sou seu andarilho
duelo com a dor e as feridas
restaurando meu viver
num diálogo mágico
nas sombras, para sobreviver.
Foto de grendel

Desabafos XXVI - Seja o desejo




Sinto os dias vagos
Desejo de desejar o outro
Esse objeto de ser desejado
Converter em amante a coisa mais amada
Obscuro objeto do desejo
Laços que prendem à realidade
Que quisera diferente
Descalça, deixar morrer ou germinar
O desejo pelo simples desejo
De amar em imensa solidão
Não cessar de repor desejos
A luta mortal da consciência
A busca incessante da perda
O objeto proibido
Um desejo que na verdade
Não devo sentir.
Foto de Lauren Simonutti

23/06/08

Desabafo XXV - Amor Sobrevivente




Meu amor apaixonado
sua sensualidade idealizada
colide violentamente com uma
cumplicidade amorosa, a que perdi
escurecido os dias
exposta a realidade
perdi a vontade de continuar
desapareceu, está fora do tempo
meu amor apaixonado
de plena compreensão real
caiu em si, a linha se rompeu
ora assemelha-se estranhamente a um tão-distante tempo
não o encontro mais
aqui, ao meu lado
hoje, num lençol ausente de seu cheiro
vivo, no roçar de um corpo,
um sexo de contornos impreciso
mas, necessário à minha sobrevivência.

Foto de Carlor

06/04/08

Poema Batalha dos Tempos XXVII - Na esquina, você


na esquina
encontro teu rosto escondido
sei que esperas
sei que me esperas
porque eu sou de ti
amor que vem das altas montanhas
em terras cujo chão
são ainda estrangeiros
na esquina, seu rosto está
meu amor - paixão que não esqueci
dias para viver
nas cores fortes do mundo,
ainda.
*
...te quero mais do que poderia
mais do que deveria...
*
*
Foto de jmrufian

30/03/08

Desabafo XXIV - Húmus




inspiração és o gráfico de minha intimidade
eficientemente numa espécie de símbolo
contundente na obra que faço
ninguém a guardará
serão ruas de uma vida, apenas
minha, meu combate intelectual
para não dispersar as palavras
digo-as para ti,
minha arte e minha ordem
assim, quem sabe
permanecerão vivas
não secas
mas o húmus no prazer
de ter vindo e ter vivido
uma opção
uma paixão
uma folha perdida.
Foto de madalenap

26/03/08

Batalha dos Tempos Poema XXVI - Não me despeço






não me despeço
não darei adeus
continuo minha busca
afastando as solidões do mundo
tenho data marcada
meu amor navega ao meu lado
seu jeito quieto
é o vento de minha
terra estranha
continuo minha busca
não me despeço
não darei adeus

Foto de baju

04/11/07

um sonho, um lugar



hoje estiveste nos meus sonhos

uma dor a se misturar a um prazer

uma sede que não consegui saciar

águas turvas, cor e movimento

na fragilidade do lugar

minhas mãos querendo as águas turvas dominar

meu sonho não acredita que sofres

tantos são os prazeres e os movimentos

mas ao fim eu estava só.

Foto de Pedro Moreira

01/11/07

Desabafo XXIV - O sonho real


És capaz de curar-me com um toque.Vieste em sonho provar-me. Era noite e guerreava por seu amor. Queria mantê-lo, juntamente com minha alegria de tê-lo. Erámos tão poucos contra a força do mal. Não tive medo o enfrentei por ti. A morte nos rondou e fomos mais forte, a espada firme e brilhante decepou o mal. Cheguei a tempo de erguê-la. Minhas roupas manchadas de um sangue real, meu corpo machucado sabia a certeza do perdão. Arrastada fui por sobre os ombros do homem nobre que ali a agonizar não me deixaria...era íngrime a subida, era escura a noite, aterradora. Coberta de sombras e trevas, pois dizia ela que o amor era maldito. Não era crível. Lutamos por isso. Acreditavámos. Queriamos você e por você um mar de sangue derramaríamos. O amor que defendíamos era o amor de um novo tempo. O tempo do sol. Da luz forte que não podia nos cegar , só iluminar. Chegamos ao quarto escuro. Onde tudo era cinza demais. A dor lancinante sabia eu: seu tempo era finito.
Deitada nela, coberta de sangue, não conseguia chorar. Salvei o homem nobre. Matara a mulher mau. Agora podia fenecer e iria feliz. A cama grande era tão escura como o dia que não tinha acontecido. As trevas percebiam seu fim.
Ele a chamou. Delicadamente vieste , saindo do nada para se juntar a nós. Sua força traria a luz que precisava para viver e para que todos pudessem ser felizes de novo.
Sua mão suave tocou-me o ombro dorido. Ele também o fez. Lado a lado o amor ressucitaria-me . O amor real num tempo remoto que quase não posso lembrar. Tanta era a dor, mais forte era a alegria de ali estar. Pediu-me que minha alma se elevasse para meu corpo curares. Assim a noite tenebrosa, de trevas e horror, de morte e sem perdão, fez-se dia com a luz do sol e tudo foi clareando e eu ali de pé diante de mim vendo o milagre do amor, amor de tempos vividos, surgir com força. E tudo ficou iluminado e tudo tornou-se branco tal a pureza do amor do homem real pela mulher cujo toque era capaz de curar. O sol nasceu pela primeira vez, há muito que não o víamos . E me chamaste a voltar ao corpo agora refeito. Voltei e ali, no mágico momento senti-me numa realidade que não vai acontecer. É vida passada, tempo vivido que retorna em sonhos para não nos fazer esquecer a vida que embalamos conjuntamente. Erguida da cama branca agora, sentindo a paz que nos ciurcundava vi felicidade no seu olhar, prazer nos olhos do homem real que acreditava. Começamos a caminhar e a descer a íngreme escada agora tão cheia de flores e cujo aroma embriagava-nos....
As crianças correram até nós. Cada uma aos nossos braços, três eram elas: dois meninos e uma menina. E caminhando tive a certeza de dias melhores. Por um momento aquele sonho fôra a minha realidade.

24/10/07

Batalha dos Tempos Poema XXV Óphis*


seu olhar atravessa
minhas palavras
palavras tímidas quase mudas
não sei explicar
a aparência do visto
do sentido
que seu olhar me dá
ora é espelho
noutra reflexo
abriga-me e fico a contemplar
será esse o olhar que
dentro de mim manifesta iluminar
não sei, palavras tolas
não fazem jus ao seu olhar
é fantástico
é fantasia
é fantasma
essa luz cinza,verde,azul
que vem do castanho do seu olhar
minha cela
meu lugar
brilhante a me cegar
esse seu olhar que me atravessa
ávido desnudou minhas palavras.
Fotografia Rafael Mota
*Óphis é a ação de ver.

17/10/07

Desabafo XXIII - Em preto e branco



rasgo a vida em preto e branco
quero ser parte dos que vêem
não terei a cegueira
não serei condenada a imobilidade
rasgo a vida em preto e branco
quero olhar pra fora e além de fora
não sentirei a melancolia
sou indivíduo vísivel
rasgo a vida em preto e branco
conheço a claridade
que o mundo das coisas dá
sou a lucidez
sei arrancar de mim a visão
sou consciência verídica
porque rasgo a vida
em preto e branco
sou risco sem medo de arriscar.

foto de Kovu




Brad Mehldau - Exit Music (for a Film)



08/10/07

Desabafo XXII - O rumo


sou barco sem laços e sem destino
numa infinita água salgada me levando
sou ser em desejo
me ocultando do viver
quero me deixar no mar
não prolongar a partida
enfraquecidas as forças
me abandono no rumo da água
dos outros e às coisas
pois isso é minha libertação
saber porque desejo
é o que me corta do mundo e
me separa do existir
sou barco
barco sem laços
barco sem destino
incapaz de ficar
incapaz de voltar.
foto de makgobokgobo

07/10/07

Desabafo XXI - Falta de alma


estou perdendo minh'alma
a alma do meu pensamento
já perdi a alma do meu corpo
não consigo ter sentimentos
inesperado comportamento
que vai de encontro
estou perdendo a união corpo-alma
é tanta a falta
é tão imensa a falta
que tanto sobra
são forças externas
vencendo-me
nos meus pensamentos
sugando minh'alma
sinto-me desértica
isolada
morrendo de várias maneiras
pensamento sem alma
corpo sem alma
nenhuma água pode juntar
alma e afeto que em mim
não quer mais habitar.
foto de bdinphoenix

Desabafo XX - Não sei se sou


só tenho agora aquilo o que sou
e nem mesmo sei o que sou
mas tenho algo
que escuto no meu silêncio particular
desorganizado e místico
sou o que vejo
as vezes pareço lama úmida
as vezes sou muro de pedra
ritualmente consumida
vago em noites de orgia
para encontrar quem sou
sono acordado
sono em transe
indiferente ou quieta
me despojo do amor
pra saber quem sou.
foto de phantomblot

06/10/07

Batalha dos Tempos Poema XXIV - Na sua cor


penso em você
como pensa um pintor
diante de sua paleta de cor
se dói meu coração
você é o vermelho
se é no seu corpo que penso
me vem o branco
elemento fogo
é verde minha sede
de lhe ter
numa perspectiva de cor
numa perspectiva linear
você é o azul do meu ar
é ele que está por trás do amarelo sol
causa, princípio assim
sucitamente exposto
sobre meu lençol
num sentido ascencional
enlouqueço
na sombra e na luz
se em você penso.


foto de HenriElske

16/07/07

Batalha dos Tempos Poema XXIII Eu quero...cobrí-la


hoje quero
cobrí-la de pétalas
de jazz
de beijos
de desejos
de seda
quero cobrí-la
de manhã
de mim
de palavras
de luzes
de tempo
vagaroso e lento
o tempo que quero cobrí-la.


Foto de in tulips







Miles Davis & John Coltrane- SO WHAT

Miles no trompete, John no sax.

02/07/07

Batalha dos Tempos Poema XXII - Alma de meu amor


pelos campos
o ruído do meu amor
pelos campos em flores
pousa a doçura da alma quente
do meu amor
a paixão que acende
novo sentir...
um ciclo
assim a dar início
meu alívio
passa o tempo
e eu sempre estou nos campos
a sentir a alma do meu amor.



foto de midnight trucker



Chris Botti - Lisa

Desabafo XIX


ME DEIXEM EM PAZ
*
*
*
durante muito tempo aceitei as pessoas como eram,
durante muito tempo eu não disse; NÃO
durante muito tempo fui disponível
tão disponível que cheguei a esquecer os meus gostos e minhas vontades
durante muito tempo não pensei em mim
durante muito tempo cuidei
cuidei que a vida de outros estivesse sempre bem
durante muito tempo ouvi todos
durante muito tempo atendi a todos
durante muito tempo só fiz para os outros
*
*
Esse Tempo acabou.
porque durante muito tempo vivi tanto para os outros
que esqueci que eu existia, quem eu era, o que eu queria
e agora
é chegado o meu tempo
agora penso em mim
vivo pra mim
agora amo
um amor que incomoda
porque me ausenta .............
Mas é meu
e não interessa a ninguém.
*
*
*
Deixem-me em paz
Deixem-me com meu amor
Com minhas palavras
Porque quero viver
O que escolhi viver...
Me deixem em paz!.
foto de Kallen







Ana Carolina - Sinais de Fogo

01/07/07

Batalha dos Tempos Poema XXI - Meu templo




"o amor é um templo"
e és meu templo
aonde posso desenhá-la
aonde posso ver sua beleza
poder sobre mim
atingimos o fundo
até que o desejar
continue ....noutro tempo-dimensão...
desse amor um nobre sentimento
porque não vou abandonar
misturou-se ao meu sangue
à minha vida
és meu palco
és meu ato de viver
és nexo
és roda a me mover.

és meu templo de amor.......

foto de Farm





U2 - ONE

16/06/07

Batalha dos Tempos Poema XX - Amor guardado pra lhe dar

um sentimento que faça bem
cuja sensibilidade se distribua
cuja generosidade se implante
cuja dignidade
permita saber-se, por vezes, limitado
um sentimento de acesso em carícias
forma, molde, moldura dos toques
um sentimento que seja espírito
espelho, reflexos para mover-se
permita a livre liberdade
que transforme dias em espetáculos
horas em eternidade
filosofe ao ouvido
saborei a carne
cuide do invisível
seja saudável
e alegre-se
só por existir.


foto de levistrauss



Gustavo Santaolalla Brokeback Mountain


Fried Green Tomatoes



The Bridges Of Madison County

08/06/07

Batalha dos Tempos Poema XIX - Fuga



se você fugir de mim
ainda te alcançarei
suas marcas estão presas à fumaça
do meu cigarro
seu gosto está preso em mim
seu beijo ficou aqui
seu cheiro
é meu ....
você é meu sonho
me pertence agora
sentimentos que fiz seus
e nem sabes que ainda permaneço
envolta nas suas palavras
nos seus dias ...perto...longe...aqui...lá


foto de max kehrfi







Tania Mara - Se quiser

30/05/07

Desabafo XVIII - Ensaio da Amizade

ERY
Edson Bastos Barretto, meu pai aos 21 anos

Ensaio da amizade

Para nos conhecer é necessário ver-nos em um amigo. O amigo é nosso outro eu. Há amigos cujas almas se misturam e se confundem tanto com as nossas, e tanto que quando nos damos conta não conseguimos encontrar mais a costura que as juntou. A amizade é virtude ou implica em virtude, disse Montaigne. Por vezes certos amigos nos estendem tanto a sua amizade que desafia a moderação, transcende o amor de tal forma que nos parece que esse amor sempre esteve conosco. É tamanha a fusão que por vezes, carregam, facilmente consigo nossas dores, nossos sentimentos de tristeza, nossos temores. E de repente nada mais é seu ou meu. Vontades se misturam, toques reúnen-se, não há mais distinções.Laços diversos atam-nos para sempre. E a amizade torna-se união perfeita, sem fissuras, sem brechas, sustentáveis por si só. A amizade é mesmo um mistério. Como pensar que é possível uma ligação assim, perfeita e completa, quando vivemos num mundo transitório e passageiro, um mundo de movimento e finitude? Cabe, nesse mundo coincidência tão absoluta de uma identificação tão plena? Cabe. Misteriosamente cabe.Posto que a amizade é o mais belo lugar e meio. A amizade é uma aliança, uma sociedade que fazemos pura e simplesmente por escolha e vontade própria, onde não rivalizamos, não dispersamos. Buscamos o prazer pelo significativo prazer de ser e ter amigos. A semelhança da afinidade, convivência forte das coisas, identidade abençoada pelo Cosmos. Tornamo-nos o princípio e o gênero de todas as espécies quando buscamos o amigo, nosso parente espiritual. O consolidamos como vínculo de sangue. E damos qualidade e forma a esse convívio intenso e marcado para sempre em nossas vidas. Queremos o amigo por ele mesmo, por ele ser quem é e o que é.
Assim é o amor e a amizade que me une a meu pai. Porque procedendo dele sou o seu outro, o outro ele mesmo. Só por isso pude descobrir quem eu era no dia que perdi meu pai. Ao ve-lo, sem vida entendi quem eu era. Aquele momento foi de mudança e movimento. Percebi a multiplicidade tênue e inconstante da própria vida, no meu espaço e no meu tempo. Percebi a existência a que desejava pra mim. Meu pai, ali naquele intante fora o espelho onde identifiquei-me. Nítido me fez acordar de um tempo em que mantive-me adormecida. Um tempo que não sei contar porque fora muito tempo. E senti, cruelmente o momento - esse que deparei-me privada do amigo mais caro e mais íntimo. Aquele do laço consaguíneo, aquele da costura sem emendas, transcedente, sem fissuras e brechas, o amigo perfeito e completo. Esse amigo que olhei para nele reconhecer-me. Alcancei minha solda fraterna. Clarificados tornaram-se dali por diante meus conflitos, meus laços, minhas experiências. Minha imagem agora sustentava-se, sustenta-se de tal forma que a leveza vive a me rondar, posto que, saber-se torna tudo tão mais original, compreensível e sólido, tal qual a solidez de ter sido forjada dentro do corpo forte de meu pai.O medo perde a importância, a obediência tem outro valor, o redor que temporariamente me pareceu estranho, retorna familiarmente em seu momento original. A cidade que naqueles dias era tão fria e distante, tão cinza, reencontra-se comigo trazendo uma infinita paz com seus coloridos e seus ruídos de amanhecer. Perdi a ingenuidade e me sinto melhor. Entendi que a vida não precisa ser entendida, precisa ser apreciada e aceita. Entretanto, ao perceber quem sou, a inquietude terminou; aprendi o que é separação, vida; aprendi que preciso aprender a viver e sobretudo a morrer. Porque agora sei para onde encaminha-se o meu conhecimento, os meus desejos, o meu mistério. Assim tornei-me diferente para ser exatamente como me sinto, dentro de mim: igual. Tornei-me mais tolerante, mais generosa, cuidadosa com a razão e a emoção. Vivo um dia por vez, um dia a cada dia, conhecendo o elemento singular do que é viver, existencialmente. Hoje, exatamente, dedico boa parte dos meus dias a escrever, para consagrar também a lembrança, a lembrança de um mútuo amor, um amor amigo, em nome desse laço que aponta-me a verdade e a vontade determinada, que aponta-me uma incrível força. Força que transporta-me para além de tudo que eu possa dizer e ser.
papai, com amor della-porther

13/05/07

Batalha dos Tempos - Poema XVIII


liberto meus instintos
sinto-me Eros
como essência de ser
meu amor é
expressão abstrata
sobrevivência concreta
equilibrio de desejo e ser
prazer e realidade
uma luta travada
para não ser passado perdido
presente sem significado
futuro esquecido
sou fronteira
desse amor que arde dentro de mim
e se realiza até na consciência
do seu existir.
foto Luís Louro



Sarah Mclachan - Angel

06/05/07

Batalha dos Tempos Poema XVII - Silêncio


meu silêncio
um impasse
entre dois amores
um erótico e libertário
o outro tímido e incendiário
um para além do bem
o outro para aquém do mal
um transcedência
o outro soberania
ambos
me constroe
me desconstroe
prendem-me na vida
libertam-me na morte
um amor em tal desordem
que guarda silêncio
em mim mesma.

Foto de Raul Coelho



Jennifer Lopez - Should've Never

** voltei, porque um amigo me pediu.

01/04/07

Desabafo XVII - A sustentável leveza do sábado


o sábado é um dia leve
por vezes chove
por vezes faz-se um silêncio
necessário,
com precisão...
e só,
apenas só...ouve-se...
um momento que precisamos lembrar
ou
um momento que precisamos esquecer...
sábado
porque ontem foi sábado.
Foto Angelo Cesare



Ivete Sangalo - Se eu não te amasse tanto assim
(versão espanhol)

16/03/07

Batalha dos Tempos Poema XVI - Rio...Água...de mim







é rio
água
onde moro
onde respiro
dai-me a paz
desse lado de cá
desse lado de mim
é rio
água
podia ser o mar de sophia
ainda quero,
ardo
é na água que
deixo meu sentir
água de mim
água de ti...
Foto Madalena Pestana




Wazimbo - Nwahulwana

11/03/07

Batalha dos Tempos Poema XV - Cidade dual


a cidade
destino e acaso se enfrentam
lugar de ruína e vazio
onde segredos atravessam
cinzas e cores
melancolia da idéia
becos sem saídas
a cidade
microcosmo da realidade
onde o amor rouba espaços
subterrâneos sentimentos...
a cidade
a luz da cidade
por onde desfila meu desejo
pacto secreto do amor
chave de muitas passagens.
Foto Madalena Pestana




Maria Bethânia - Luz da Cidade

05/03/07

Desabafo XVI - Calor de alma


calor no corpo
calor na alma
minha alma quer
conhecer meu corpo
meu corpo é um desejo que
a alma não compreende...
Fotografia Jmagdielpr





Jorge Vercilo e Ana Carolina - Abismo

15/02/07

Desabafo XV Retorno



retorno

sou um processo-criação.

agora

só preciso escrever-te

coerente,

lógico,

necessário?

Não

meu amor está

sobre um fundo de desordem

vou pra casa

quero o mistério de minha paixão

sobre mim

puro

sei...te amarei até a morte

...e para além dela

Fotografia Emília Couto




Lizz Wright - I'm Confession'

14/02/07

Batalha dos Tempos Poema XIV Sinal


nuvens! chuva forte!
tendes piedade de mim
preciso do céu
preciso do sol
não cinzento
não pesado
claro
leve
assim te sinto inteira em mim
é o sinal do meu desejo
devorador
Fotografia Iana


djavan - devoro-te

12/02/07

Batalha dos Tempos - Poema XIII


Tempo e cheiro de mar
no mar
sou teu tempo
todo tempo vivido
todo o tempo que quer
ser sentido
no mar dou-te dias sem nevoeiros
gritos e gestos onde vou decifrar-te
meus gestos anseiam contemplá-la
meus gritos enchem a noite no meu barco de mar
quero chegar
quero doar-me ...perder-me...em ti
quero ser maresia
quero ser esse cheiro
longe ouvir-te chamar
meus gritos, meus gestos, meus cheiros
É no mar
que preciso
ser teu tempo.
Fotografia de Barek



maria bethânia - lágrima

09/02/07

Batalha dos Tempos Poema XII


um pedaço da encantadora Lisboa que ganhei hoje de presente.
porque hoje o dia foi rico
mais do que os outros
porque hoje acordei*
vi o sol de minha janela
vi o movimento de minha rua
vi minha vida
ainda sendo vivida...
e agradeço por isso.
agradeço.
Fotografia de Madalena Pestana





alejandro sanz - amiga mía

* Dia 08.02.2007 um jovem de poucos mais de 20 anos, enquanto me assaltava, pôs o cano de um revólver, calibre 38 no meu pescoço, do lado esquerdo...engatilhou e por alguns segundos o manteve lá. Para mim durou uma eternidade e tempo suficiente para eu saber que ele ia dispará-lo. Mas, não o fez. Não o fez.*

03/02/07

Desabafo XIV

della-porther
A lua da minha casa

a lua que vejo da minha janela

a canção que ouço

a vida que aprecio

a eternidade que penso

divago...

minha vida ...

cheia de memórias e lembranças

amores

intensos

como a força da lua

ainda acredito

ainda acredito

e por isso sou feliz....

23/01/07

Desabafo XIII



Nunca mais, nunca mais
vou ver nos seus olhos
a profundidade do amor que sentias
o calor que saía de suas mãos...
nunca mais, nunca mais
vou sentir o gosto do seu corpo
sobre o meu
a delícia de um prazer sem razão
nunca mais, nunca mais
vou roubar os seus sonhos
nem o amarei dentro da noite
nunca mais, nunca mais
vou ver o amanhã com o sabor
que via quando estava com você
a brisa fria que arrepiava
meus seios quentes ainda na sua boca
tantas manhãs de amor
nunca mais, nunca mais
agora só a saudade de amor
com certeza do adeus.

Príncipe, você valeu a pena....

saudades para sempre.

01/01/07

amanhecer com você...

joaquim l. rodrigues silva
Quero Amanhecer Amando
Tânia Alves
***
Quero amanhecer amando
Que sensação estranha...
Me sinto tão sozinha,
A vida tão vazia...
Pedindo companhia,
Um sonho p'ra viver...
Meu coração distante
Agora quer voltar,
Voltar a apaixonar-se,
A dividir no peito
O amor que existe em mim...
Quero amanhecer amando...
Alguém que seja tudo que eu quero,
Que me traga os momentos que eu espero,
Que me guarde em seu peito
Me aceite do meu jeito...
Quero amanhecer amando...
Alguém que seja forte e seja frágil,
Que me busque ao sentir-se vulnerável,
Que me guarde em seu peito
Me aceite do meu jeito...
Minha razão se cala,
Meu coração te chama,
Inventa uma presença,
Alguém a quem pertença,
A quem possa se dar...
Talvez seja loucura,
Nem sei quem é você
Mas sei que é meu caminho,
E eu sigo na procura
Até acontecer...
Quero amanhecer amando...
Alguém que me defenda dos meus medos,
Que me arranque de uma vez dos meus segredos,
Que me guarde em seu peito,
Me aceite do meu jeito...
Quero amanhecer amando...
Alguém que esteja sempre do meu lado,
Que me faça esquecer o que é passado,
Que me guarde em seu peito,
Me aceite do meu jeito...

29/12/06

O ANO NOVO

SEXTA-FEIRA

raphael



Feliz 2007

A PAZ, A ALEGRIA, O AMOR, A SOLIDARIEDADE, A AMIZADE, O CARINHO, O RESPEITO...E A ESPERANÇA DE TEMPOS MELHORES....

um beijo carinhoso pra vocês:

Madalena Pestana, Daniel Santiago, Tereza Durães, al-Jib, weg, non, isabel, cordda, lumife, o'sanji, elisa, girassol, analuar, alquimista, pwho, kephra, daniel aladiah, simplesmente louco, saltimbanco, desire ou your shell, piano,mendes ferreira,feiticeira,holeart,adesenhar, blueshell, pois.claro, maresia, cristina oliveira, mfc, piresF, justine,scorpius, lince, menina marota,soulsensia, lisa, um outro olhar, cuco,phylos,angello90,bandida, anjoedemonio,inês, giacomo, freyja, malucaresponsável, anais, paulosempre, frog,marquee gianni, diamond, olhar, mitro, efemerum, ,klatuu, eme de amar, nnannarella, r.e., Y. moleiro de mancha, mortal, thiago forrest gump, pedro, clarissa, nome, lique, um deus no purgatório, felipe, safo, raul, penélope,palavras que escrevo, nuno cavaco, gil-aço, nilson barcelli, elis , candida, autum,diafragma, helder ribau, sonia, doladodomar,bb,mitro, mouradia, martha, anais, rafael-angel, marco magalhães, micas, aida monteiro, pong e Paper Life.

Eis A Confraria de Blogueiros que conheci e me visitou. Uns não voltaram mais, uns não visitei mais. Nos entendemos - essa vida de blog não é lá muito fácil!!. Alguns ficaram e com vários estreitei laços de grande amizade. O que importa é que gosto muito de todos e agradeço a cada um por ter vindo um dia, na minha Esquina ou na minha Cidade. Um grande beijo e um grande abraço. Feliz Ano Novo.

della-porther

28/12/06

NO CAMINHO COM MAIAKÓVSKI

QUINTA-FEIRA


P.Bento (ronin)



Assim como a criança
humildemente afaga
a imagem do herói,
assim me aproximo de ti, Maiakóvski.
Não importa o que me possa acontecer
por andar ombro a ombro
com um poeta soviético.
Lendo teus versos,
aprendi a ter coragem.

Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.


Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na Segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

Nos dias que correm
a ninguém é dado
repousar a cabeça
alheia ao terror.
Os humildes baixam a cerviz;
e nós, que não temos pacto algum
com os senhores do mundo,
por temor nos calamos.
No silêncio de meu quarto
a ousadia me afogueia as faces
e eu fantasio um levante;
mas amanhã,
diante do juiz,
talvez meus lábios
calem a verdade
como um foco de germes
capaz de me destruir.

Olho ao redor
e o que vejo
e acabo por repetir
são mentiras.
Mal sabe a criança dizer mãe
e a propaganda lhe destrói a consciência.
A mim, quase me arrastam
pela gola do paletó
à porta do templo
e me pedem que aguarde
até que a Democracia
se digne a aparecer no balcão.
Mas eu sei,
porque não estou amedrontado
a ponto de cegar, que ela tem uma espada
a lhe espetar as costelas
e o riso que nos mostra
é uma tênue cortina
lançada sobre os arsenais.

Vamos ao campo
e não os vemos ao nosso lado,
no plantio.
Mas ao tempo da colheita
lá estão
e acabam por nos roubar
até o último grão de trigo.
Dizem-nos que de nós emana o poder
mas sempre o temos contra nós.
Dizem-nos que é preciso
defender nossos lares
mas se nos rebelamos contra a opressão
é sobre nós que marcham os soldados.

E por temor eu me calo,
por temor aceito a condição
de falso democrata
e rotulo meus gestos
com a palavra liberdade,
procurando, num sorriso,
esconder minha dor
diante de meus superiores.
Mas dentro de mim,
com a potência de um milhão de vozes,
o coração grita - MENTIRA!


Em negrito o fragmento, que corre o mundo, do belíssimo poema de Eduardo Alves da Costa.

27/12/06

Carta de meu pai à minha mãe

QUARTA-FEIRA




PARA LÊR A CARTA CLIQUE NA IMAGEM E AMPLIE





Há exatos 59 anos atrás, meu pai sentou-se na sua escrivaninha, no Banco onde trabalhava, e escreveu uma carta. Essa carta era pra minha mãe, quatro dias após eles começarem a namorar. O papel - tipo bíblia era usado no Banco, à época, como folha de rascunho. Amarelou-se com o tempo. Eu recebi essa carta das mãos de minha mãe quando completei 21 anos. Até então nunca soube de sua existência. Ao entregar ela disse-me:
- você que gosta de colecionar coisas antiga. guarde. Essa foi uma das coisas mais bonita que seu pai fez pra mim. Tem alguns erros, mas ele me pediu desculpas, pois ao fazê-la estava muito emocionando - ele chorava enquanto escrevia e a ansiedade em entregar-me era tanta que não a corrigiu. Fique pra você.

Meu pai, quando escreveu essa carta, tinha 21 anos completos (fazia aniversário em 21 de maio). Expressa aqui a sua forma de amor. E é tão encantadora que a retirei do quadro , na parede , onde a preservo e trago até aqui. E você pai, tinha razão - só a morte foi capaz de nos separar.

******


O AMOR DE MEU PAI EMBALA OS ÚLTIMOS DIAS DESSE ANO...
QUENTE...
ESPECIALMENTE HOJE,
UM SOL LINDO BRILHA TANTO NO CÉU
QUE DAQUI DE MINHA JANELA, ENQUANTO ESCREVO, VEJO A LUA.

Valeu paizão!!!!
com todo o meu amor

della-porther

26/12/06

A estrada

TERÇA-FEIRA

Paulo A.


Cantos da Estrada Aberta
(fragmentos)


1.
A pé e de coração leve
eu enveredo pela estrada aberta,
saudável, livre, o mundo à minha frente,
à minha frente o longo atalho pardo
levando-me aonde eu queira.

Daqui em diante não peço mais boa-sorte
boa-sorte sou eu.
Daqui em diante não lamento mais,
não transfiro, não careço de nada;
nada de queixas atrás das portas,
de bibliotecas, de tristonhas críticas;
forte e contente vou eu
pela estrada aberta.

A terra é quanto basta:
eu não quero as constelações mais perto
nem um pouquinho, sei que se acham muito bem
onde se acham, sei que são suficientes
para os que estão em relação com elas.

(Carrego ainda aqui
os meus antigos fardos de delícias,
carrego - mulheres e homens -
carrego-os comigo por onde eu vou,
confesso que é impossível para mim
ficar sem eles: deles estou recheado
e em troca eu os recheio.)

(...)

WALT WHITMAN - FOLHAS DAS FOLHAS DE RELVA


Walt Whitman - não é preciso dizer mais nada depois.

Della-Porther

25/12/06

o tempo: meu, nosso...

SEGUNDA-FEIRA.
sissi
"Tudo tem a sua ocasião própria, e há tempo para todo propósito debaixo do céu.

Há tempo de nascer, e tempo de morrer;
tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;
tempo de matar, e tempo de curar;
tempo de derribar, e tempo de edificar;
tempo de chorar, e tempo de rir;
tempo de prantear, e tempo de dançar;
tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras;
tempo de abraçar, e tempo de abster-se de abraçar;
tempo de buscar, e tempo de perder;
tempo de guardar, e tempo de deitar fora;
tempo de rasgar, e tempo de coser;
tempo de estar calado, e tempo de falar;
tempo de amar, e tempo de odiar;
tempo de guerra, e tempo de paz".
Eclesiastes capítulo 3

Mas é o tempo de respeitar a vida humana
o direito da inocência de uma ciança
a integridade física da mulher, principalmente.
É tempo de preservar a natureza e os bens públicos.
São nossos para desfrutar, não para destruir ou roubar.
É o tempo de respeitar as escolhas...sexuais e físicas
de homens e mulheres .
É o tempo de respeitar as diferenças culturais,
pois essas são as únicas que temos.
É o tempo de sentir-se igual, ao outro , ao próximo, ao distante...
É o tempo de rever , a tradição , o costume, o hábito que nos humilha
nos apequena, nos inibe, nos separa...porque é tempo de mudar
é tempo de entender, é tempo de olhar para ver.
...eu quero um tempo onde o amor prevaleça...
Della-Porther

23/12/06

Desabafo XII


O que o Natal é pra mim


Tive em criança os melhores natais ( dentro da tradição) que alguém pode imaginar. meu pai, sempre foi meu papai noel..sempre criou pra mim uma festa onde a alegria era o mais importante . Mas, a melhor lembrança que guardo do natal é a de meu pai e minha mãe, levando centenas de presentes para os meninos e meninas pobres, da cidade onde passávamos o verão todos os anos. Esse sim era um Natal. A alegria no rosto daquelas crianças espalhadas embaixo do pé do Tamarineiro, abrindo seus presentes...carrinhos, bolas, bonecas....
Mas, não eram os presentes, era a forma como papai e mamãe o faziam...era o dia que eles criavam...foram dias inesquecíveis.Foi aquele o Natal que conheci...via meus pais doarem com extrema alegria horas do seu dia, rodeados de crianças cujo sorriso compensava qualquer sacríficio. E engraçado...nunca perguntei a
meu pai como ele conseguia fazer isso. Nossos recursos eram tão parcos. Mas no Natal, algo mágico acontecia...e era um dia e uma noite fantástica. Isso é hoje apenas parte de minhas memórias. Não
existe mais Natal. Ele se foi junto com meu pai. O aprendizado daqueles dias se foram. Acabou.
No que hoje se transformou o Natal é algo que não acredito. E apesar de saber que estou certa peço desculpas a aqueles a quem essa afirmação poderá magoar.Não desejo Feliz Natal a ninguém, há muito tempo,
porque não creio.
Desejo a todos o que sempre desejo, não só nessa época, mas sempre ...amar...
Com amor, desejo a todos um bom viver,alegria, paz , serenidade, e sobretudo olhar atento, seja lá em que crença for.
Bom Feriado a todos.
Della-Porther.


foto de rui nabais

09/12/06

Desabafo XI

foto luiz zilhão
é vida...vida que achei...meu corpo um só. Sou esboço de um tempo, enlouquecido por viver. Sou pele e deixo-me começar . Não . Não renuncio. Vou a liberdade comprometendo meu encanto. É vida, eu vi, eu vivi. O lugar tem a árvore que se parece com minha vida. Forte, longe , sozinha. Mas não é refém e não serei. Me transformo porque pareço a árvore, longe ...desafiando os meses, os homens. E pemanece como ela é. Eu posso ser isto ou aquilo , mas prefiro ser árvore, força e gosto de incomodar. Respondo aos chamados e escrevo como quem faz canções, exalto a vida. Cubro-me de céu , azul céu, e afasto as nuvens tal qual um espantalho assusta os invasores. Na minha sintonia refreei a razão por muitas vezes e deixei de viver. De lado coloquei imprescindíveis desejos. Hoje percorro o chão e narro a intensidade do que busco. Sou raça em absoluta metamorfose. Sou criatura que fala, que cria . Sou contato e tenho a loucura dos poetas em mim. Vou na direção do que vale a pena. Sou árvore, rija e enfrentando intempéries. Sou , sigo , viajo no intervalo do desenrolar dos sentidos. Fui tanta tolice até encontrar a força da árvore, a firmeza do chão. Não tem silêncio que cale meus desabafos. Vejo luz e descobri ...eu própria descobri vida ...eu achei..vida em mim. E não há vazio que não possa preencher. Porque meu desejo trepida quando minha dor arrebenta . Não mais me atormenta porque a deixo na árvore, na árvore que me tornei. Não há subloimação. Só coragem de dizer num desabafo. Vida é , vida eu vi, vida eu achei e desafiei. Hoje meu corpo fala a linguagem da árvore que me tornei.
pra você entender.

25/11/06

Batalhas dos Tempos - Poema XI



minhas andanças percebem você

desejo outro,

irressistível outro que vejo pelo espelho

outro lugar,

reflitar as coisas do tempo ido

viajar no reflexo

do seu sexo

insurgido no mundo bárbaro

do meu próprio desejo

seguido de você

e nada será como antes

tirei sua imagem do espelho

identidade de muitas maneiras

sou aquela que suporta

as chamas desmedidas...

nada falo

ardo numa febre de ser de ti.

foto Karen Setnomirror

20/11/06

a canção do amor



mak tub

minha homenagem a música romântica moderna de portugal

Cavaleiro andante

cantada por Rita Guerra e Beto

Vem no fim da noite sem avisar

Dança no silencio no teu olhar a chamar por mim

A chamar por mim...

Chega com a brisa que vem do mar

Brinca no meu corpo a desinquietar, como um arlequim,como arlequim....

Chega quando quer e não quer saber

Nem do mal que fez ou que vai fazer, é um tanto faz..

Querer ou não querer..

Chega assim cavaleiro andante,

Louco e triunfante

Como um salteador

Pra no fim nos deixar a contas

Com as palavras tontas

Que dissemos por amor...

E eu que jurei nunca mais cair

Nesses teus ardis nunca mais seguir

Esse teu olhar, esse teu olhar...

Que nada nos vale tentar fugir

Para quê negar, ou se quer fugir..

Nesse mal de amar,nesse mal de amar

Chega quando quer e não quer saber

Nem do mal que fez ou que vai fazer, é um tanto faz..

Querer ou não querer..

Chega assim cavaleiro andante,

Louco e triunfante

Como o salteador

Que dissemos por amor...

Chega assim cavaleiro andante,

Louco e triunfante

Como o salteador

Pra no fim nos deixar a contas

Com as palavras tontas

Que dissemos por amor...

Chega assim cavaleiro andante,

Louco e triunfante

Como o salteador

Pra no fim nos deixar a contas

Com as palavras tontas

Que dissemos por amor...

Chega assim cavaleiro andante,

Louco e triunfante

Como o salteador

Pra no fim nos deixar a contas

Com as palavras tontas

Que dissemos por amor...

Pra no fim nos deixar as contas ........

Por ele não vou morrer...por ele vou viver...sempre e sempre.

18/11/06

Batalhas dos Tempos - Poema X

fausto cunha

....

sentei...
um prazer
marca meu desejo de não sentir limite
ocupo o vazio
sentei
senti palavras
fantasias como as folhas soltas
um-desejo-insatisfeito
vou olhar pela última vez
inegável desejo
códigos do meu gozar
indissociável desejo
quando penso em ti
realidade que sento para sentir
repetir
porque repetir é a insistência do meu prazer
querer você...
meu sonho fugidio
princípio primeiro
do meu existir
nessa luz total
você eu de mim, de si
os passos que dei para chegar aqui
viajante em mistérios que desvendei
não vou advinhar
é desejo-do-desejo-do-saber
sentei
pra pensar em ti
repouso do corpo
complicado sofrer
que chamo de dimensão real
do prazer que quero ter com você...

sei a luz desse dia
sei que não quero perder
não terá fim
porque não se vais de mim
sentei ...
o que quero
é intenso para frear
é desejante demais
é ladrão de mim.
Together we're strong

12/11/06

aniversário

edson barretto (papai)

o que mais eu poderia dar às pessoas

em agradecimento ao milagre que foi/é ter nascido


meu sorriso mais puro...amor, lealdade e confiança


a base real e maravilhosa que encontrei

para conseguir chegar aqui até hoje.

e querem saber?
eu estou certa.vale a pena....


nasci em novembro no dia da mais pura sorte

era o décimo terceiro dia do senhor Deus.

nasci para estar com vocês ..amigos-irmãos/amigas-irmãs que escolhi.

della-porther

01/11/06

Batalha dos Tempos - Poema IX



ruas
estreitas ruas por onde a passos largos
vou em busca de ti
quero com garra
quero despertada
explodir atônita
fazer um enchente de alegria
pra seduzi-la
sob o sono dos séculos
cobri-lhe de petálas
tocar sua pele quente
que sinto em minhas mãos
tal como água correntea deslizar doce....
e mostrar-lhe as ruas estreitas
por onde a passos largos
vou em busca do amor
esse amor que pedi
nas manhãs que nasciam em setembro
muros derrubei,
tristezas afastei,
terras conquistei em seu nome
sentindo fome e sede desse amor
desertos cavalguei pra chegar
e aqui de joelhos sigo prometendo,
embalada no canto doce dos passáros que insistem em me seguir,
- amarei ao meu amor até que de mim parta a alma -