vives nas esquinas do meu pensamento

26/06/06

Desabafo V


Quando sinto a chuva no meu corpo é como se meu corpo fosse recoberto pelas orações que esse amor representa pra mim. O cheiro da chuva me conduz a lugares distantes, onde confronto sensações, pois despertei na condução desse sentimento elevado. Sou rota de fuga da tristeza porque tenho o rastro da chuva pra me fazer chegar ate lá. Amo sem condições imposta, sem desatinos tolos, com propriedade de paixão, com consciência de raízes. Cada passo na minha estrada é recortado em molduras . Busco como quem quer uma flor rara. E juro leva-la comigo mar adentro quando essa estrada findar. Fazer um caminho onde o vento seja cumplice, a luz do sol me conduza com pedras e areias, minhas companheiras de viagem, e aponte o chegar. Não importa se são terras estranhas, este será meu chão se nele é o chão que pisas. E o mar, lá adiante, terá meu cheiro e meus passos terá o pó para presentea-lo. Durmirei e acordarei no tempo contado da minha arte, e acatarei as decisões para ama-lo nos momentos que irá advir meu espaço, dentro do seu coração. E a lua amarela da vida passando diante de mim será aquela que, apontará o seu desejo na minha vontade de desejar. Não perdi nenhum sinal, os moinhos de ventos estão a girar, a relva é meu templo de liberdade, para ditar-lhe: sou eu sim que venho trazendo a felicidade dos deuses para encantar sua solidão. Nenhuma luz artificial será capaz de clarear a dor, ou impedir a paz de seu encontro. Não receio meus sentimentos. Alma e corpo lhe pertencem, estão nus a seus pés. Aceito sua chegada ou partida porque nada mais importa eu o tenho e isso marca minha existência. Você povoa os castelos dos meus sonhos, quando durmo na doce e macia terra da estrada. É lá que lhe permito ser minha vida real, ser meus intrumentos de poder, minhas verdades ocultas, meu andar firme, minha busca compreensível, meus barcos em bravata de conquistas, reflexos de uma miragem onde você e só você estará para assistir a festa que meu coração, em ecos, lhe dedicará. Nada, nada será tão próprio e certo do que o encontro do amor existente... este vive nas paragens dos meus pensamentos. Sendo minha inspiração sem riscos e sem resistência, me torno poema de sua voz, futuro do seu passado recente, canções inéditas, ruído de minha posse, sono arrancado de pesadelos, não pude evitar. Vou mostrar-lhe como posso acarinhar sua paz e defender suas lágrimas do inusitado.
FOTO PAULO PONTES 1000 IMAGENS

24/06/06

Batalhas dos Tempos - Poema IV



A noite me rouba da fria realidade. Começa com uma brisa leve, para acalantar meu corpo. Uma música suave misturada aos ruídos noturnos. Mas hoje me senti roubada para viver e a noite virou uma poesia. Eu podia escreve-la de mil formas, e ainda assim estaria sendo verdadeira. Diferenciada do dia, à noite podemos nos esconder, esconder nossos segredos - angústias de não querer dividi-los. A noite é tão real que a inverdade não cabe , não se alastra. Tremo só de lembrar do que ela é capaz de fazer comigo. E choro... Se pudesse lhe daria a lua, no melhor do seu momento de luar, mas meu coração se partiu. Mil pedaços eu lhe dei...

FOTO DE SUSANA CARRASCO

22/06/06

Desabafo IV



Hoje, apenas hoje,
vou ficar a sós.
Quero falar a Deus:

- me tiraste um amor que me causou dor
- me mandou um amor que está tirando minha dor
- Fracionei a dor ...para suportar
- Totalizo o amor... para sobreviver
Venço um dia por vez
Estamos quites!
FOTO JÃO VIEGAS 1000IMAGENS

Batalhas dos Tempos Poema III

Una palabra

uma palavra é tudo que preciso
que represente a minha fidelidade
cite minha entrega
negue as impossibilidades
mostre as certezas
uma palavra é tudo que preciso
que determine minha decisão
dissipe minha morte
impeça a divisão
lembre-me de não esquecer
uma palavra é tudo que preciso
que assome minha deidade
conceba meus devaneios
traga de volta minha autonomia
descerre minhas horas caladas
uma palavra é tudo que preciso
que paralise a minha apatia
devaste minhas mudanças
viabilize meus compassos
recomeçe até o fim
uma palavra é tudo que preciso
que dite os meus sabores
amenize minhas ânsias
emudeça meus murmúrios
segrede minhas cruzes
uma palavra é tudo que preciso
que libere meus embaraços
desnortei meus rumos
assegure o irrefutável
uma palavra é tudo que preciso
que prove que minha alma lhe pertence
E sobretudo convença
Que meu vício é você.
FOTO DE PEDRO MONTEIRO (PEPE)

20/06/06

Desabafo III


Um dia a mais pra viver

Acompanhada do albatroz atravesso minha madrugada pensando num dia que não imaginava viver. Quer os Deuses conspirem ou não preciso entender o que acontece.Por que uma conexão nos ligam a tão longe quando o que precisariamos que acontecesse aqui não se dá? Porque podemos, emocionalmente, atravessar fronteiras, mares, quebrar distâncias, estar além do lugar concreto num outro mundo abstrato quando aqui não realizamos? Como podemos afinar uma vivência em coincidências, tamanha extensão inimaginável e aqui não damos um passo fora da soleira da porta?
Como podemos interpretar uma vida inteira num espaço de tempo irreal,indivizível, diminuto,e aqui não concebemos o notório? Como podemos saber que temos algo que não pode nos pertencer mas que é nosso independente de qualquer aspiração, cobiça ou necessidade? Como podemos alcançar corações em confins, perceber o espírito sereno ou a alma atormentada sem estar presente, quando cá não podemos ver o óbvio? Como podemos escutar um choro contido, e podemos acalantar apenas sabendo-se a pesença e aqui não sabemos quem precisa de consolo? Como é possivel sentir ternura por algo que não vemos, amor por algo que não temos,acalento por algo que não somos culpado; estar numa verdade e sabe-la tão firmemente como se nossa fosse a vida toda? Como entender por um momento o mecanismo das relações humanas estando tão distante de um ser vivo? Como viajar no carinho, no amor, no aconchego, e discernir o colo onde deitar a cabeça, o abraço que consola, o apego que já esta intrínseco e ninguém pediu ou disse como deveria se mostrar? Como dividir um tempo sem tempo, marcas sem culpas, certezas sem presença, amor sem paixão, serenidade sem consistência, ternura sem experiência? O que é isso que anda cercando meu dia que não compreendo e que não sei a que - mas talvez a quem - atribuir? Esse olhar novo ao redor, me fazendo enxergar um fim que se prenuncia como início da vida readiquirida.E tudo muda, porque as possibilidades se alargam como se possivel fosse estar vivendo dois mundos, duas realidades, dois tempos em um único agora. Porque vislumbra-se uma vida que sempre existiu mas nunca se fez presente. A certeza de um outro tempo, outra época é possivel ter existindo e só poucos percebem onde fica esse lugar tão incomum, cujo brilho muda a cada acordar, se sabe dono, único, amado com tanta intensidade que a dor não ousa aproximar-se posto que será derrotada. Afeto tátil, entusiasmo a algo tão imperioso ... conhecer o outro em essência num enxergar encantador... a crescer pelas palavras, fortalecer-se pela desejo que eleva o anima e faz percorre tantos ensinamentos, tantos sonhos que derrubados por terra agora já são sonhos vividos. Porque tem-se a vida numa outra estrada, num outro molde perceptivo, a vida real, fugaz, efêmera, olvidada passeia num continuo ir e vir a me transportar para imagens onde sempre estive, num recanto onde vivi, que fiz meu por lembrança, tão meu, e tão intensamente, para fazer cumprir a promessa.Percebi e só hoje percebi que amo, - uma paixão nobre que ninguém ainda falou - amo há muito, sempre amei, comigo sempre esteve, atravessando Eras... incontáveis gerações, carregado-o vivo e tão latente.Derrubei as barreiras, construir os caminhos do jeito que quis e estando sempre no mesmo lugar e na mesma hora o encontrei. Usando a livre expressão, deixo que saiam de mim palavras soltas, não tenho mais medo porque sei: não vou perder o que agora me faço dona, vou dize-lo aqui porque comigo sempre esteve, desde o começo dos meus tempos.
FOTO JOHNY SPID

17/06/06

Batalha dos Tempos - Poema II

Na primeira madrugada do mundo

Na primeira madrugada do mundo uma contínua e complexa escuridão no entorno das arcadas . Sei onde estão as paredes mas, preciso encontrar a escada para sentar-me e desvendar o código das chuvas. E provavelmente sentir o milésimo de segundo do século. Os vendavais do outono ocasionalmente seguirão a ordem temporal da vida.
O enigma é o amor de extrordinárias perturbações que reconheces em mim, insistindo em acompanhar-me nas passagens da estação. Quanda reina essa escuridão aqui da escada em que repouso meu corpo, vejo a chuva trazendo luzes sobre as arrojadas estruturas antigas de pedras. Meu amor quer seu olhar...seu olhar a lugar nenhum. Decifro seus mistérios nessa primeira madrugado do mundo: És rotas de reconciliação da minha alma, és minhas regiões desérticas, és minha visão do mundo natural.
A luz, que a chuva jogou por terra, ainda é tênue para iluminar essa primeira madrugada do mundo, mas guardo seus desejos em recantos do meu corpo, pois temo perdê-los . Essa chuva tão forte pode levá-los de mim.
Suas formas desenho na lateral das paredes de pedras frias para marcar hora e lugar que reconheci esse amor Nessa primeira madrugada do mundo desespero-me por você ... meu apetite é voraz e consequente . Louco, insano, impossível, improvável, triste, dolorido, inconsequente, desesperador, amargo... Vou atravessar a chuva de águas e luzes para deitar-me no seu amanhecer e curar-me.
FOTO DAVID CARETAS

16/06/06

Batalhas dos Tempos - Poema I



Pedaços seus...

Vou depositar suas pedrinhas numa caxinha de madeira. Elas representam o amor que sinto por voce. Amo-te pelo que amas. Porque o que amas ... ama a mim também. Noutra caixinha vou quardar suas cartas de desabafo, suas palavras de saudade e inspiração, letras de uma vida vivida longe de casa. Vou plantar uma semente no vaso e deixá-lo na janela da cozinha, regada será pela chuva e aquecida será pelo sol, crescerá como se contasse o tempo do seu retorno. Os lençóis onde você repousou serão guardados com o cheiro do seu corpo deitado. As toalhas ficarão dobradas na mesma gaveta a lhe esperar. Vou guardar as marcas de suas mãos no canto do sofá, onde apoiava-se para me beijar. A porta ficará aberta para que seus pensamentos possam continuar a entrar... A mesa terá sempre uma toalha branca, e uma rosa ficará depositada no jarrinho da mesinha de centro ... ela representa a sua alegria invadida...Vou fazer caminhadas na mesma calçada por onde você andou pra dar notícias às árvores que contemplaram seu passar. Vou recolher porções de terra do jardim que seus pés pisaram e num potinho ficarão sobre a mesa de trabalho, porque elas estarão marcadas de sua chegada e partida. A manta que lhe aqueceu na noite do frio ficará jogada nas costa da cadeira que sentavas para ler. Pelas paredes dos corredores estará sempre as marcas de sua sombra, e por todos os cômodos o som de sua voz ficará para sempre agarrado - dando prova de suas risadas, de suas falas... E pelo piso da casa ficará registrado o ruído dos seus passos que ouvirei no silêncio da saudade de sua ausência, nas noites que doravante não mais serão noites de solidão.
FOTO 1000imagens.com

14/06/06



Olhei para essa imagem e me sinto

igual à sensação que ela provoca...

11/06/06

Madel


Madel, uma amiga que não está longe...porque longe é um lugar que não existe

Uma amiga me disse hoje: a vida é feita de pequenas coisas, pequenas trocas....
Eu não perdi a capacidade de entender isso e tenho alguém que me faz lembrar, porque nesses últimos tempos, por vezes senti tanta dor... tanta dor, que julguei ter perdido minha capacidade de ainda ver . Que força é essa que anda a me tirar a tristeza de ter perdido meu rumo por um tempo que não defini o quanto foi porque foi muito tempo. Agora sinto brilhar de novo a vida alegre que sempre vi em todos os cantos de minha vida. E vem de longe...muito longe a ajuda que aqui não conseguia encontrar: palavras doces que viajam a velocidade da luz, trazidas pelos ventos dos últimos dias do outono, palavras que o tempo não encontra, que o tempo não domina porque o tempo se esvai e nos perdemos em incontavéis brincadeiras e risos das coisas pequenas da vida, das pequenas trocas, num modo de nunca te vi mas sempre quis lhe encontrar, ou pelo menos se encontrasse seria bom...e está sendo. Os gestos a construir uma forma de entendimento que os grandes amigos estão fadados a possuir, e assim passamos a nos debruçar em horas de discussões sobre a leveza, as verdades, a liberdade, o direito, os efeitos da vida sobre cada uma de nós num espaço que não é real mas é pálpavel. Posso senti-la por vezes sentada aqui ao meu lado rindo a risada que representamos nas palavras, mas cuja mudez não significa que não seja audível, porque... sua voz atravessa o oceano e pousa na minha janela aberta porque meu espírito a sente...a escuta... Sem precisar de explicaçãoes, sem mostrar caminhos longes já nos encontramos em memoráveis madrugadas onde escrevemos a história das nossas vidas em brancas folhas de papel que colorimos para quem as quiser lêr e tudo se transforma porque os cantos da casa já se tornaram bons cantos para sentar, ler e viver alegrias. E esses últimos dias de outono já não mais assustam porque temos as imagens que buscamos em outras casas para substituir as palavras quando essas não conseguem dizer mais nada ...Quando o idioma ainda não foi capaz de cria-las. São palavras que só os corações enternecidos de luta, de vida,de dor, de perdas, de amores, de trabalho conseguem entender...e as cançoes vêem como apoio para nos mostrar o que mentes e corações apaixonados ou não, são capazes de descrever quando invadidos de observações humanas, de reflexões sobre uma existência poderosa que por hora queremos redescobrir, compreender.
Uma amiga me disse hoje: a vida é feita de pequenas coisas, pequenas trocas ...
E se aqui, nesse momento, quebro a promessa de manter nossas conversas em absoluto segredo o faço porque essas palavras foram hoje a luz que aquietaram o meu coração...e com certeza será hoje e unicamente hoje, que quebrarei minha promessa. Porque aqui precisava repeti-las por toda a autenticidade que elas foram postas sobre o meu dia. Assim ternamente estamos a reconstruir um caminho que pertence a uma outra época, uma época que desconheçemos...tenha sido dado início.Nessas fronteiras que poucas vezes atravessamos está a razão desse encontro cuja propabilidade de ocorrer era absolutamente nenhuma, porquanto acreditando que o universo possa conspirar aqui os seres costumam se procurar e se buscar não determinando distâncias nem sentidos, não precisando de respostas nem de certezas, não voltados para um por que? ...ou como? Apenas ocupando-se em doar...em vivenciar mesmo que a estrutura física esteja ausente, porque ela não é nada comparada a força de uma amizade quando ela é alimentada de um amor que transcende a compreensão real dos outros mas que na verdade aposta na capacidade que temos de estarmos perto porque longe é um lugar, que para mim e para ela não existe mais.
Por toda a alegria posta na minha janela,
Com um carinho que não precisa ser inteligível, estou aprendendo a lhe querer bem.
Della-Porther

01/06/06

Desabafo II



Quero ficar em casa e pensar...refletir. Não quero ir às ruas... não quero ver as dores, não nesse outono cinzento. Quero a paz do meu quarto, quero tão somente a luz que atravessa a cortina de seda, deixando meu espaço da cor de um amarelo envelhecido.Aqui quero ficar sentada ...por um tempo..preciso refletir. Não quero ouvir barulhos de gente, não quero ouvir buzinas de carros. Quero pensar no que sinto. Quero me refugiar porque tenho medo de perder esse momento. Estou me retirando do período de tristeza, do tempo do vazio. Agora quero ouvir meus passos, quero ouvir minha música, quero ouvir minhas falas. Quero ouvir os compassos do meu coração, suas batidas fortes. Quero travar meus diálogos. Não quero ser interrompida.
Quero comparar tempos... Quero ver o que sobrou. Quero rever meus cadernos onde anotei os sonhos. Não quero desviar minha atenção. E sentir o tamanho do espaço, o tamanho da minha paz. Não quero ouvir notícias, não quero sofrer o sobressalto das ações insanas. Não quero pensar nos outros. Não quero temer. Quero me procurar dentro do espelho. Quero perceber o espaço de minha sombra o quão ao redor de mim está. Quero descubrir a tonalidade do azul do céu da manhã. quero perder meu olhar no céu de estrelas a noite. Quero estar distante e em companhia de mim mesmo. Quero ouvir meus sussurros. Quero perceber os cheiros que me cercam. Quero saber de onde vem cada um. Quero tornar o dia minha noite ...minha noite o meu dia ...sem marcas do tempo estabelecido. Quero vivenciar os desejos que estou sentindo...as emoções que me invadem...os delírios . Quero pensar na minha força e na minha fraqueza sem de ter que mostrar. Quero acender e apagar as luzes artificiais para entender seu mecanismo...conceber sua importância...clarear minhas verdades e escurecer meus medos. Quero expulsar daqui os demônios e não quero ninguém à porta. Quero sentir a brisa fesca e dar risadas quando ela me tocar. Quero sentir a água deslizar no meu corpo sem pressa . Não quero andar em círculos ...quero conhecer os quatros cantos do meu canto. Quero recompor minha dignidade porque me perdi por uns instantes e mereço esse instante para faze-lo sozinha. Não quero achar a solução pra ninguém ...quero dar respostas pra mim. Quero aclarar as idéias e a lucidez. Quero fazer uma aliança...um pacto feroz de me tornar conquistadora de minhas trilhas e atalhos. Não quero mais sentir a dor do mundo em mim. Quero perder-me e achar-me sem imposições...levemente. Quero ficar em casa...quero sentir minha vida nas minhas mãos....quero pôr as lembranças nos seus lugares. Quero debruçar-me na janela pra somente olhar...e refletir sem que o barulho do mundo me interrompa.