vives nas esquinas do meu pensamento

29/12/06

O ANO NOVO

SEXTA-FEIRA

raphael



Feliz 2007

A PAZ, A ALEGRIA, O AMOR, A SOLIDARIEDADE, A AMIZADE, O CARINHO, O RESPEITO...E A ESPERANÇA DE TEMPOS MELHORES....

um beijo carinhoso pra vocês:

Madalena Pestana, Daniel Santiago, Tereza Durães, al-Jib, weg, non, isabel, cordda, lumife, o'sanji, elisa, girassol, analuar, alquimista, pwho, kephra, daniel aladiah, simplesmente louco, saltimbanco, desire ou your shell, piano,mendes ferreira,feiticeira,holeart,adesenhar, blueshell, pois.claro, maresia, cristina oliveira, mfc, piresF, justine,scorpius, lince, menina marota,soulsensia, lisa, um outro olhar, cuco,phylos,angello90,bandida, anjoedemonio,inês, giacomo, freyja, malucaresponsável, anais, paulosempre, frog,marquee gianni, diamond, olhar, mitro, efemerum, ,klatuu, eme de amar, nnannarella, r.e., Y. moleiro de mancha, mortal, thiago forrest gump, pedro, clarissa, nome, lique, um deus no purgatório, felipe, safo, raul, penélope,palavras que escrevo, nuno cavaco, gil-aço, nilson barcelli, elis , candida, autum,diafragma, helder ribau, sonia, doladodomar,bb,mitro, mouradia, martha, anais, rafael-angel, marco magalhães, micas, aida monteiro, pong e Paper Life.

Eis A Confraria de Blogueiros que conheci e me visitou. Uns não voltaram mais, uns não visitei mais. Nos entendemos - essa vida de blog não é lá muito fácil!!. Alguns ficaram e com vários estreitei laços de grande amizade. O que importa é que gosto muito de todos e agradeço a cada um por ter vindo um dia, na minha Esquina ou na minha Cidade. Um grande beijo e um grande abraço. Feliz Ano Novo.

della-porther

28/12/06

NO CAMINHO COM MAIAKÓVSKI

QUINTA-FEIRA


P.Bento (ronin)



Assim como a criança
humildemente afaga
a imagem do herói,
assim me aproximo de ti, Maiakóvski.
Não importa o que me possa acontecer
por andar ombro a ombro
com um poeta soviético.
Lendo teus versos,
aprendi a ter coragem.

Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.


Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na Segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

Nos dias que correm
a ninguém é dado
repousar a cabeça
alheia ao terror.
Os humildes baixam a cerviz;
e nós, que não temos pacto algum
com os senhores do mundo,
por temor nos calamos.
No silêncio de meu quarto
a ousadia me afogueia as faces
e eu fantasio um levante;
mas amanhã,
diante do juiz,
talvez meus lábios
calem a verdade
como um foco de germes
capaz de me destruir.

Olho ao redor
e o que vejo
e acabo por repetir
são mentiras.
Mal sabe a criança dizer mãe
e a propaganda lhe destrói a consciência.
A mim, quase me arrastam
pela gola do paletó
à porta do templo
e me pedem que aguarde
até que a Democracia
se digne a aparecer no balcão.
Mas eu sei,
porque não estou amedrontado
a ponto de cegar, que ela tem uma espada
a lhe espetar as costelas
e o riso que nos mostra
é uma tênue cortina
lançada sobre os arsenais.

Vamos ao campo
e não os vemos ao nosso lado,
no plantio.
Mas ao tempo da colheita
lá estão
e acabam por nos roubar
até o último grão de trigo.
Dizem-nos que de nós emana o poder
mas sempre o temos contra nós.
Dizem-nos que é preciso
defender nossos lares
mas se nos rebelamos contra a opressão
é sobre nós que marcham os soldados.

E por temor eu me calo,
por temor aceito a condição
de falso democrata
e rotulo meus gestos
com a palavra liberdade,
procurando, num sorriso,
esconder minha dor
diante de meus superiores.
Mas dentro de mim,
com a potência de um milhão de vozes,
o coração grita - MENTIRA!


Em negrito o fragmento, que corre o mundo, do belíssimo poema de Eduardo Alves da Costa.

27/12/06

Carta de meu pai à minha mãe

QUARTA-FEIRA




PARA LÊR A CARTA CLIQUE NA IMAGEM E AMPLIE





Há exatos 59 anos atrás, meu pai sentou-se na sua escrivaninha, no Banco onde trabalhava, e escreveu uma carta. Essa carta era pra minha mãe, quatro dias após eles começarem a namorar. O papel - tipo bíblia era usado no Banco, à época, como folha de rascunho. Amarelou-se com o tempo. Eu recebi essa carta das mãos de minha mãe quando completei 21 anos. Até então nunca soube de sua existência. Ao entregar ela disse-me:
- você que gosta de colecionar coisas antiga. guarde. Essa foi uma das coisas mais bonita que seu pai fez pra mim. Tem alguns erros, mas ele me pediu desculpas, pois ao fazê-la estava muito emocionando - ele chorava enquanto escrevia e a ansiedade em entregar-me era tanta que não a corrigiu. Fique pra você.

Meu pai, quando escreveu essa carta, tinha 21 anos completos (fazia aniversário em 21 de maio). Expressa aqui a sua forma de amor. E é tão encantadora que a retirei do quadro , na parede , onde a preservo e trago até aqui. E você pai, tinha razão - só a morte foi capaz de nos separar.

******


O AMOR DE MEU PAI EMBALA OS ÚLTIMOS DIAS DESSE ANO...
QUENTE...
ESPECIALMENTE HOJE,
UM SOL LINDO BRILHA TANTO NO CÉU
QUE DAQUI DE MINHA JANELA, ENQUANTO ESCREVO, VEJO A LUA.

Valeu paizão!!!!
com todo o meu amor

della-porther

26/12/06

A estrada

TERÇA-FEIRA

Paulo A.


Cantos da Estrada Aberta
(fragmentos)


1.
A pé e de coração leve
eu enveredo pela estrada aberta,
saudável, livre, o mundo à minha frente,
à minha frente o longo atalho pardo
levando-me aonde eu queira.

Daqui em diante não peço mais boa-sorte
boa-sorte sou eu.
Daqui em diante não lamento mais,
não transfiro, não careço de nada;
nada de queixas atrás das portas,
de bibliotecas, de tristonhas críticas;
forte e contente vou eu
pela estrada aberta.

A terra é quanto basta:
eu não quero as constelações mais perto
nem um pouquinho, sei que se acham muito bem
onde se acham, sei que são suficientes
para os que estão em relação com elas.

(Carrego ainda aqui
os meus antigos fardos de delícias,
carrego - mulheres e homens -
carrego-os comigo por onde eu vou,
confesso que é impossível para mim
ficar sem eles: deles estou recheado
e em troca eu os recheio.)

(...)

WALT WHITMAN - FOLHAS DAS FOLHAS DE RELVA


Walt Whitman - não é preciso dizer mais nada depois.

Della-Porther

25/12/06

o tempo: meu, nosso...

SEGUNDA-FEIRA.
sissi
"Tudo tem a sua ocasião própria, e há tempo para todo propósito debaixo do céu.

Há tempo de nascer, e tempo de morrer;
tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;
tempo de matar, e tempo de curar;
tempo de derribar, e tempo de edificar;
tempo de chorar, e tempo de rir;
tempo de prantear, e tempo de dançar;
tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras;
tempo de abraçar, e tempo de abster-se de abraçar;
tempo de buscar, e tempo de perder;
tempo de guardar, e tempo de deitar fora;
tempo de rasgar, e tempo de coser;
tempo de estar calado, e tempo de falar;
tempo de amar, e tempo de odiar;
tempo de guerra, e tempo de paz".
Eclesiastes capítulo 3

Mas é o tempo de respeitar a vida humana
o direito da inocência de uma ciança
a integridade física da mulher, principalmente.
É tempo de preservar a natureza e os bens públicos.
São nossos para desfrutar, não para destruir ou roubar.
É o tempo de respeitar as escolhas...sexuais e físicas
de homens e mulheres .
É o tempo de respeitar as diferenças culturais,
pois essas são as únicas que temos.
É o tempo de sentir-se igual, ao outro , ao próximo, ao distante...
É o tempo de rever , a tradição , o costume, o hábito que nos humilha
nos apequena, nos inibe, nos separa...porque é tempo de mudar
é tempo de entender, é tempo de olhar para ver.
...eu quero um tempo onde o amor prevaleça...
Della-Porther

23/12/06

Desabafo XII


O que o Natal é pra mim


Tive em criança os melhores natais ( dentro da tradição) que alguém pode imaginar. meu pai, sempre foi meu papai noel..sempre criou pra mim uma festa onde a alegria era o mais importante . Mas, a melhor lembrança que guardo do natal é a de meu pai e minha mãe, levando centenas de presentes para os meninos e meninas pobres, da cidade onde passávamos o verão todos os anos. Esse sim era um Natal. A alegria no rosto daquelas crianças espalhadas embaixo do pé do Tamarineiro, abrindo seus presentes...carrinhos, bolas, bonecas....
Mas, não eram os presentes, era a forma como papai e mamãe o faziam...era o dia que eles criavam...foram dias inesquecíveis.Foi aquele o Natal que conheci...via meus pais doarem com extrema alegria horas do seu dia, rodeados de crianças cujo sorriso compensava qualquer sacríficio. E engraçado...nunca perguntei a
meu pai como ele conseguia fazer isso. Nossos recursos eram tão parcos. Mas no Natal, algo mágico acontecia...e era um dia e uma noite fantástica. Isso é hoje apenas parte de minhas memórias. Não
existe mais Natal. Ele se foi junto com meu pai. O aprendizado daqueles dias se foram. Acabou.
No que hoje se transformou o Natal é algo que não acredito. E apesar de saber que estou certa peço desculpas a aqueles a quem essa afirmação poderá magoar.Não desejo Feliz Natal a ninguém, há muito tempo,
porque não creio.
Desejo a todos o que sempre desejo, não só nessa época, mas sempre ...amar...
Com amor, desejo a todos um bom viver,alegria, paz , serenidade, e sobretudo olhar atento, seja lá em que crença for.
Bom Feriado a todos.
Della-Porther.


foto de rui nabais

09/12/06

Desabafo XI

foto luiz zilhão
é vida...vida que achei...meu corpo um só. Sou esboço de um tempo, enlouquecido por viver. Sou pele e deixo-me começar . Não . Não renuncio. Vou a liberdade comprometendo meu encanto. É vida, eu vi, eu vivi. O lugar tem a árvore que se parece com minha vida. Forte, longe , sozinha. Mas não é refém e não serei. Me transformo porque pareço a árvore, longe ...desafiando os meses, os homens. E pemanece como ela é. Eu posso ser isto ou aquilo , mas prefiro ser árvore, força e gosto de incomodar. Respondo aos chamados e escrevo como quem faz canções, exalto a vida. Cubro-me de céu , azul céu, e afasto as nuvens tal qual um espantalho assusta os invasores. Na minha sintonia refreei a razão por muitas vezes e deixei de viver. De lado coloquei imprescindíveis desejos. Hoje percorro o chão e narro a intensidade do que busco. Sou raça em absoluta metamorfose. Sou criatura que fala, que cria . Sou contato e tenho a loucura dos poetas em mim. Vou na direção do que vale a pena. Sou árvore, rija e enfrentando intempéries. Sou , sigo , viajo no intervalo do desenrolar dos sentidos. Fui tanta tolice até encontrar a força da árvore, a firmeza do chão. Não tem silêncio que cale meus desabafos. Vejo luz e descobri ...eu própria descobri vida ...eu achei..vida em mim. E não há vazio que não possa preencher. Porque meu desejo trepida quando minha dor arrebenta . Não mais me atormenta porque a deixo na árvore, na árvore que me tornei. Não há subloimação. Só coragem de dizer num desabafo. Vida é , vida eu vi, vida eu achei e desafiei. Hoje meu corpo fala a linguagem da árvore que me tornei.
pra você entender.