vives nas esquinas do meu pensamento

24/10/07

Batalha dos Tempos Poema XXV Óphis*


seu olhar atravessa
minhas palavras
palavras tímidas quase mudas
não sei explicar
a aparência do visto
do sentido
que seu olhar me dá
ora é espelho
noutra reflexo
abriga-me e fico a contemplar
será esse o olhar que
dentro de mim manifesta iluminar
não sei, palavras tolas
não fazem jus ao seu olhar
é fantástico
é fantasia
é fantasma
essa luz cinza,verde,azul
que vem do castanho do seu olhar
minha cela
meu lugar
brilhante a me cegar
esse seu olhar que me atravessa
ávido desnudou minhas palavras.
Fotografia Rafael Mota
*Óphis é a ação de ver.

2 comentários:

  1. SÓ MAIS UM

    WWW.MOTORATASDEMARTE.BLOGSPOT.COM

    QUANDO TE VIA


    Ouvia calúnias contidas
    a sentir tudo que faço de falso e deprimente,
    em todas as avenidas, nas publicidades
    espero que teu riso iludido e sem remorsos
    torture toda a literatura universal
    eternamente e por completo,
    nosso
    monstro de
    palavras
    fáceis.

    Anos que esqueci passaram
    em alguns meses
    rápidos e arrastados.

    Não olhemos para baixo,
    não te estou a convencer de nada
    com pauzinhos bem cheirosos de giz
    com as cores do arco-íris,
    acredita em mim pelo que digo
    em todos os lugares,
    isto é tudo o que alguma vez existiu,
    nas manhãs
    tão quebradiça que estás tu,
    aos primeiros sons
    existes outra vez e sinto-te eferverescer,
    até aceitar controlado esforço amolecido
    que só pensa em dançar sem pensar
    no que deixou de existir
    para perdurar, connosco comigo.

    Por mais que tente não consigo
    ultrapassar barreiras de tijolo tão altas
    que têm olhos que se riem,
    prefiro cair pela noite e partir ambas as pernas,
    é preferível ignorar, não dar demasiada importância,
    fingir que não ouvi nada e
    que tua opinião não é divina importância na vida,
    possibilito confiança amarga e soberana,
    a armadura de manteiga aguarda o cavaleiro
    escondido por detrás da pedra da ribanceira
    prestes a cair, por quem se apaixonou decide
    acumular esterco no silêncio,
    silenciado pelo amor ao tempo, desistente
    e separado das verdades pressupostas,
    fui infiel indesejado que
    não sabe valorizar cada minuto
    como se pudesse tornar-se
    o melhor do mundo, a todo o segundo. 2003

    in fotosintese

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  2. olhar profundo
    que sabe de nós
    nos vê por dentro
    nos conhece a voz

    relecte e espelha
    o que nos vai na alma
    brilha o nosso brilho
    dá e tira a calma

    nos prende e nos solta
    alimenta e come
    olhar que atravessa
    nos sacia a fome

    beijo grande

    (volta sempre)

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