vives nas esquinas do meu pensamento

04/11/07

um sonho, um lugar



hoje estiveste nos meus sonhos

uma dor a se misturar a um prazer

uma sede que não consegui saciar

águas turvas, cor e movimento

na fragilidade do lugar

minhas mãos querendo as águas turvas dominar

meu sonho não acredita que sofres

tantos são os prazeres e os movimentos

mas ao fim eu estava só.

Foto de Pedro Moreira

01/11/07

Desabafo XXIV - O sonho real


És capaz de curar-me com um toque.Vieste em sonho provar-me. Era noite e guerreava por seu amor. Queria mantê-lo, juntamente com minha alegria de tê-lo. Erámos tão poucos contra a força do mal. Não tive medo o enfrentei por ti. A morte nos rondou e fomos mais forte, a espada firme e brilhante decepou o mal. Cheguei a tempo de erguê-la. Minhas roupas manchadas de um sangue real, meu corpo machucado sabia a certeza do perdão. Arrastada fui por sobre os ombros do homem nobre que ali a agonizar não me deixaria...era íngrime a subida, era escura a noite, aterradora. Coberta de sombras e trevas, pois dizia ela que o amor era maldito. Não era crível. Lutamos por isso. Acreditavámos. Queriamos você e por você um mar de sangue derramaríamos. O amor que defendíamos era o amor de um novo tempo. O tempo do sol. Da luz forte que não podia nos cegar , só iluminar. Chegamos ao quarto escuro. Onde tudo era cinza demais. A dor lancinante sabia eu: seu tempo era finito.
Deitada nela, coberta de sangue, não conseguia chorar. Salvei o homem nobre. Matara a mulher mau. Agora podia fenecer e iria feliz. A cama grande era tão escura como o dia que não tinha acontecido. As trevas percebiam seu fim.
Ele a chamou. Delicadamente vieste , saindo do nada para se juntar a nós. Sua força traria a luz que precisava para viver e para que todos pudessem ser felizes de novo.
Sua mão suave tocou-me o ombro dorido. Ele também o fez. Lado a lado o amor ressucitaria-me . O amor real num tempo remoto que quase não posso lembrar. Tanta era a dor, mais forte era a alegria de ali estar. Pediu-me que minha alma se elevasse para meu corpo curares. Assim a noite tenebrosa, de trevas e horror, de morte e sem perdão, fez-se dia com a luz do sol e tudo foi clareando e eu ali de pé diante de mim vendo o milagre do amor, amor de tempos vividos, surgir com força. E tudo ficou iluminado e tudo tornou-se branco tal a pureza do amor do homem real pela mulher cujo toque era capaz de curar. O sol nasceu pela primeira vez, há muito que não o víamos . E me chamaste a voltar ao corpo agora refeito. Voltei e ali, no mágico momento senti-me numa realidade que não vai acontecer. É vida passada, tempo vivido que retorna em sonhos para não nos fazer esquecer a vida que embalamos conjuntamente. Erguida da cama branca agora, sentindo a paz que nos ciurcundava vi felicidade no seu olhar, prazer nos olhos do homem real que acreditava. Começamos a caminhar e a descer a íngreme escada agora tão cheia de flores e cujo aroma embriagava-nos....
As crianças correram até nós. Cada uma aos nossos braços, três eram elas: dois meninos e uma menina. E caminhando tive a certeza de dias melhores. Por um momento aquele sonho fôra a minha realidade.